Legado


Quase um século depois do primeiro choro, o último suspiro. Naquele dia, ele nos deixou cabisbaixos, pensativos, cada pensamento indo e vindo para qualquer outro lugar que não fosse o daquela realidade tão cinza.
Sabíamos sim, era inevitável, isso é inevitável. Até reconfortâmo-nos no sentimento de que assim cessara-se a dor, o sofrimento. Mas apenas isso não é, nem nunca será suficiente para fazer a dor da perda menor.
Foram muitos anos de convívio, de alegrias, tristezas, vitórias e aprendizados. Pelo caminho, a raiva, a indignação, o alívio, o amor.
Nossa vida é, e sempre será, feita de emoções, de contatos, de esperanças e desejos. Pois se não há dessas coisas na Vida, não há Vida.
Ele tinha percebido que já havia feito tudo o que poderia fazer, seu corpo já pedia descanso. Ele sabia que a missão estava cumprida: os filhos foram criados, tornaram-se homens e mulheres de bem, viu seus netos e bisnetos crescerem e teve a certeza de ter deixado ao mundo o legado de seu desejo de vitória e de bondade, fraternidade, humildade.
Ele está olhando por nós, como sempre esteve, mas de um outro ângulo, em contato com seus entes queridos partidos antes dele. E nós ficaremos aqui, continuando a luta de fazer com que o legado de nosso sangue nunca se esvaia e não seja manchado com algo inglório, pois inglória é algo que nunca caberia ao nome de meu avô: João Constantino da Silva Júnior.
Até logo, meu vô querido. Te amaremos sempre! Obrigado por tudo!

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