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Sem Maria

Não sei quanto tempo fazia que estava ali, sei que quando despertei daquele torpor meu corpo estava adormecido ainda, não conseguia mexer braços nem pernas. Por isso, permaneci naquela posição e adormeci. Já era a terceira noite seguida que isso acontecia. Depois que Maria fugiu as coisas perderam o sentido, eu perdi o sentido também. Dormia mais que acordava. Fome, não sentia. Sede, a saliva me satisfazia. Sem Maria, o apartamento não era o mesmo, a falta do seu barulho me doía os ouvidos, não havia mais ela vindo pelo corredor com seu andar calculado e fino, me hipnotizava cada passo que dava em minha direção. Longos dias eram aqueles sem Maria, o Sol e a Lua pareciam se arrastar, assim como minha ação involuntária de respirar. Não deveria ser assim, estivemos juntos pelo tempo suficiente para que eu quisesse dela a companhia até a hora de morrer e ela me abandonou, saiu não sei por onde, não sei com quem. Quando ouço algum mínimo barulho no corredor, fico atento com a esperança d...

Ali, dobrando a esquina.

Quando chegar, que não me pegue desprevenido para que eu possa vestir uma roupa adequada e usar um perfume novo. Não pelo galanteio, só pela cerimônia . Não quero que pense de mim que deixo-me desleixado; sou assim apenas às terças-feiras, dia em que acordo muito cedo para fazer diversas atividades inúteis e mal tenho ânimo para pentear os cabelos. Que não me venha numa terça. Para causar melhor impressão, escovarei os dentes e a língua, passarei fio dental e chuparei uma bala de hortelã para deixar o hálito artificialmente refrescado. Unhas cortadas rentes à pele, o que sempre me causou aflição, mas por um bom motivo deixarei assim. Passarei graxa nos sapatos, deixando-os como no dia em que os comprei, naquela tarde acinzentada e triste, o dia chorava uma garoa fina e constante, o vento me assobiava aos ouvidos uma canção esquecida numa rádio de tempos atrás. Saí da loja, naquele dia, com a caixa de sapatos numa mão e o coração apertado na outra. Mas os dias foram se seguind...

Quem entende?

- ...? - Ah, entendeu! - Quem? - Quem o quê? - Entendeu. - Como assim? - Quem entendeu? - Eu, entendeu? - Não - Agora já não sei mais. - ..., entendeu? - Sim, isso eu já sabia. - Então, agora você entendeu? - Entendeu, entendeu? - Ah, entendeu... - Entendido.

Caio F.

É com medo que escrevo para esse homem magro, de mãos grandes, cabelos ralos e que invadiu minha Vida sem qualquer pedido de permissão e transformou minhas angústias em obra de arte. Através de seu olhar sereno, olhos grandes que absorviam além do que via, o gosto do que via, o cheiro do que via, a sensação do que via e transformava em palavras que, como um barco a vela no meio de um oceano calmo e de vento constante, passeavam pelas linhas das páginas em branco para aportarem em corações solitários, confusos, desprezados, trágicos e sonhadores como o meu. Falar de quem cria, de quem tem a ousadia de criar é uma maneira vã de se sentir menor por não ter a mesma coragem e não permitir que os poros todos do corpo fiquem abertos e atentos para receber as alegrias e as dores que nem mesmo existem. Escrever é ter o sangue pulsado pelo coração do mundo, ser o próprio mundo escondido dentro de uns poucos metros de altura, por trás de uma pele que nem mesmo existe. E quando se lê aquela ver...

Agosto

Como toda família tem sua avelha negra, nesta não seria diferente. O filho desprezado surge pelo horizonte e causa arrepios naqueles que acreditam em sua sina. A de ser mal. Agosto é o mês, o filho, indesejado. O do cachorro louco, quando coisas ruins estão fadadas a acontecer, como se houvesse anunciação para a graça ou para a desgraça. Augusto é meu nome e, não sei se por obra do acaso ou do divino, também sou uma espécie de ovelha negra,um indesejado. Claro que não creio nessas coisas, não nasci para atrapalhar ninguém,embora teimem em me forçar a acreditar nisso. Sou o mais novo de quatro irmãos. Dizem que tudo mudou depois que nasci, filho temporão, as entranhas já envelhecidas de minha mãe não puderam suportar a dor de me parir e ela morreu no mesmo instante em que nasci. Queria tê-la conhecido, queria ao menos que ela tivesse a oportunidade de olhar em meus olhos que nem abertos estavam e, entre a gritaria dos médicos para salvá-la e a minha própria gritaria de recém-nasci...

Best seller

Começarei agora. Vou escrever a primeira palavra da primeira frase de um best-seller. Não imediatamente agora, pois, sendo um best-seller, necessita de grande cuidado ao ser gerado, e mesmo se não fosse um best-seller seria necessário o mesmo cuidado, afinal, um livro é um filho e, dizem, um filho que é gerado por um ato de real amor e prazer será um belo fruto. Então, sendo livro um filho, deve- se atenção ao ato que vem antes de sua concepção. Deve- se observar a amante que chega na alcova e sorrir-lhe, dizer-lhe coisas agradáveis, afagar- lhe, tocar- lhe o pescoço, a nuca, deixá-la à vontade, a ponto dela ficar com os movimentos mais lentos, lânguidos e doces. Este é o momento em que me encontro: as preliminares. Sentado em frente ao computador eu vejo uma página em branco, que logo será preenchida, mas antes de começar é preciso tornar o ambiente agradável e impenetrável: baixo um pouco o som, cerro as cortinas, descalço os sapatos, verifico se a garrafa d' água e...

O cultural e a Bienal

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Hoje fui à Bienal do Livro, em São Paulo, a minha primeira - uma vergonha pra quem gosta tanto de ler e escrever. E quase perco desta vez também, hoje foi o último dia. Estava ansioso para ir, imaginei que lá fosse a Meca dos devoradores de livros com muita informação, lançamentos, altos papos literários e, é claro, descontos. Mas o que vi foi uma grande feira de livros acontecendo dentro de um pavilhão enorme, cheio de gente de todos os tipos e nada mais. Preços? Pagaria bem menos em qualquer livro indo até a praça João Mendes ou qualquer outro reduto de Sebos. Isso foi uma decepção pra mim. No auge da minha inocência, pensei que um evento como esses serviria para estimular a leitura e criar cada vez mais novos leitores em nossa cidade, em nosso país. E, num país como o nosso, este estímulo começa a partir da maior acessibilidade aos livros. Não adianta a criança ou o jovem ter um grande professor em sala de aula, com a capacidade de instigar nele o desejo pela leitura se na hora H, ...

Duas rodas em São Paulo

Venho percebendo um crescente assalto de duas rodas no trânsito paulistano. Não estou me referindo às motocicletas, essas dominaram há muito o trânsito. Falo das bicicletas. Imagine, numa cidade de mais de dez milhões de habitantes, frota média de 5 milhões de veículos e tantas outras motocicletas e agora vem as bicicletas. A primeira coisa que passa pela minha cabeça quando penso em alguém indo trabalhar, indo estudar ou indo pra qualquer outro lugar dentro de São Paulo com uma bicicleta é: coragem. O cara tem que ter muita coragem de enfrentar os motoristas predadores dentro de seus carros-leões e ônibus -mamutes. Loucura é outra palavra que me surge com facilidade também. Numa bicicleta a pessoa está completamente exposta, muito mais do que um pedestre pois esse ainda tem a calçada para transitar, embora algumas calçadas estejam tão desfiguradas que é preciso andar na rua mesmo. Na bicicleta, o louco-corajoso tem que dividir espaço com os motores de 100 cilindradas, 1000 cilindr...

Tchau, tchau.

É besta, eu sei. Mas tem sido algo que tem me irritado, ou melhor, antes de irritar, me intriga. Muitas coisas passam pela cabeça quando presencio isto. Há a irritação, a intrigação , a dúvida. Um tanto de coisas que passam pela minha cabeça quando ouço alguém dizer: tchau , tchau . Eu disse que era besta, mas é algo que vem me chamando cada vez mais atenção. Comecei a perceber esse fenômeno na empresa em que trabalho, as pessoas atendem o telefone, falam coisas e no final: tchau , tchau . A primeira vez que ouvi talvez até tenha achado interessante, uma despedida jovial, descontraída mas, com o passar do tempo e eu ali, falando com as pessoas ao telefone e o tchau , tchau de despedida foi me causando um sufocamento. E a coisa vem de todos os lados, sem discriminação de idade ou cargo. Acho que até o presidente da empresa deve finalizar suas conversas ao telefone com um tchau , tchau . Engraçado é que essa despedida só acontece ao telefone, nunca pessoalmente. No cara a cara é o nor...

Dançando com o diabo

Eu estava quieto, na minha, como de costume. Olhava de canto para as pessoas que passavam aqui e ali, o som era muito alto e via-se muito pouco com as luzes estróbicas , cintilantes, coloridas, todos os tipos de luzes que não iluminam nada. Encostei no balcão do bar, mas não pedi nada para beber. O bartender me olhou de um jeito que parecia misto de piedade e raiva, eu pensei que ele pudesse estar pensando: coitado do cara, um monte de gatinha dando sopa e nenhuma dando bola, fica aí com essa cara de bunda . Mas também deve ser um sujeito bem mole porque comigo não ia ser assim, eu parto pra luta e não me canso de ouvir não. Com o outro sempre é sempre diferente e comigo sempre igual. É isso? Mas não estava triste de estar ali, sozinho, quieto, na minha. Era assim que eu queria. Olhando apenas, o movimento, as pessoas, as luzes dore - cabeceantes . Foi quando cometi o erro de olhar para a porta recém aberta. Seus olhos e os meus se fixaram. A partir dali, como uma pequena mald...

Sr. Paulo Soares, um pai.

Se pudesse responder à pergunta: "Você tem orgulho do seu pai?", o menino João Roberto certamente diria que sim, que tem. Mas ele não poderá responder. Calaram a voz desse menino com tiros covardemente disparado, praticamente à queima-roupa, sob o apelo da mãe clamando para que parassem com aquilo. Imagino que tudo tenha sido rápido demais, confuso demais. Absurdo demais. Estes mesmos tiros que calaram uma voz fizeram ressoar outra, a de um pai indignado com a trágica ação promovida por funcionários públicos despreparados. Infelizmente, vemos constantemente nos jornais casos de homicídios onde as vítimas eram crianças ainda. Crianças! Um garoto, uma garota que ainda não sabem ler e escrever, mortos por jovens e adultos marginais, alguns deles que também não sabem ler e escrever, mas sabem que com uma arma na mão poderão ter o dinheiro que querem. Mas, de todos os pais e mães que vi, o sr. Paulo Soares foi o que mais me admirou. Sua voz, desde esta tragédia, tem sido uma bra...

Boa sorte

Faltava pouco para a chegada, uns dois dias. Nesses dias, ele não conseguia dormir direito, comer direito, pensar direito, viver direito. Se é que algum dia soube viver direito. Ocupava o tempo percorrendo o pequeno corredor do apartamento, indo até o mercado ver os mesmos produtos e não levar nenhum. Tinha parado de fumar, mas abrira um exceção, quase dois maços por dia. Isso lhe rendeu um tosse seca, rascante que tentava amenizar tomando muita água. Com bebidas tinha parado, isso era definitivo. "Esperar é uma droga não viciante", pensava. Impaciente, como um bom ariano, folheava o jornal que era entregue pela manhã, religiosamente, em apartamento. O incomum é que recebia aquele jornal há mais de um ano e nunca fez pedido de assinatura, nunca nenhum vizinho o interpelou reclamando seu jornal roubado, nem alguém de telemarketing ligou para oferecer ou cobrar a assinatura. Havia coisas assim que aconteciam com ele, coisas que eram boas do jeito que se pensa: "porque i...

Falta o que fazer, falta o que falar.

O Inverno chegou, agora oficialmente, como se isso importasse. Dá vontade de não fazer nada além de comer e dormir, certo? Bem, quase isso. Com todo o processo de ter que esperar, esperar não é um processo, na verdade, é um martírio. Falta o que fazer, falta o que falar. FIM

O frio, o calor.

Havia Sol, mas incapaz de aquecer os dias frios que faziam naquela semana, era o prenúncio do Inverno que estava por vir. Um dos mais rigorosos das últimas décadas, previa o departamento meteorológico. Pena que este departamento era tão desacreditado quanto os políticos que governavam o país. Entre uma rajada congelante de vento e outra, as pessoas passavam aceleradas pela rua, como de costume, enclausuradas dentro de roupas e mais roupas, o frio era intenso, a vontade de se levantar da cama para os afazeres diários era imprescindível. Um momento de dúvida era o suficiente para um telefonema ao chefe com a desculpa de algo qualquer que o impediu de ir ao trabalho. Muitos faltaram ao trabalho naqueles dias, alguns chegaram a perder o emprego. Perderam o emprego mas não a sensação deliciosa de se deixar ficar encolhido na cama, embaixo dos edredons, vendo a Vida do lado de dentro da janela, aquela vida que parecia ainda mais seca com todo o frio que fazia. Dos que se aventuravam nas r...

Orkut, muito além do Orkut

Desde que chegou ao Brasil, a rede de amigos Orkut tornou-se uma febre e, para quem dizia ser passageira, está durando um bom tempo e eu não vejo num futuro próximo o fim dessa febre. O Orkut foi criado por um cara chamado... Orkut que tinha a intenção de montar um site onde ele pudesse encontrar-se virtualmente com pessoas amigas suas do presente ou reencontrar pessoas de um passado distante, como colegas de primário etc. O fato é que a idéia não foi muito difundida nos Estados Unidos mas, quando desembarcou em Terras Brasilis, foi um estouro! Somos o país com maior número de membros de forma disparada! O motivo? Não sei. Nem é minha intenção fazer esta avaliação. O que me chama a atenção é que esta imensa rede que se criou acabou gerando muito mais do que simplesmente buscar um amigo distante ou manter contato com pessoas próximas. Através das comunidades que são possíveis de serem criadas, o Orkut agora é como um grande Fórum sobre os mais diversos assuntos, desde o mais banal até...

Numa noite fria

Como se a escuridão da sala apagada pudesse esconder de si mesmo o bater do próprio coração, permanecia calado, sentado na poltrona, imóvel tal qual uma estátua de cem anos. O único sinal de vida fora de seu pensamento eram os zumbidos de carros cruzando a avenida por trás da janela. Lembrando-se dela, virou-se. A cortina cerrada não permitia-lhe enxergar a noite de ventos frios que havia lá fora. Mais um zumbido de carro, tocou o próprio pulso, quatro da manhã. Um cansaço pesou-lhe os ombros, levantou-se com dificuldade e foi até a sacada. Dez minutos passados, ele olhando para o conjunto de janelas apagadas do outro lado da rua, os postes de luz acessos transbordavam uma luz amarelada e velha nas calçadas varridas pelo vento incessante, tocou-se no rosto, o frio das mãos contra o frio do rosto. A ponta do nariz parecia ter caído, a fumaça do cigarro confundindo-se com o ar condensado da boca. Ouviu, então, um estalido vindo da outra sacada, seus olhos se cruzaram com os olhos da vi...

Homens têm estria - o conto

Aproveitou aquela manhã de Sábado para continuar deitado e deixou os pensamentos fluirem cabeça, quarto e mundo afora. Pensava tantas coisas e ao mesmo tempo que parecia ter todos os pensamentos do mundo pra si. Alienado, os olhos vidrados no teto branco, a mão percorrendo, de forma boba, o corpo por baixo da roupa. "Poderia ser um outro corpo para essa mão acariciar", pensou. Coisa sem graça essa de ser do jeito que ele vinha sendo. Fez uma careta para essa constatação. Suspirou forte três vezes, decidido a levantar. Um: os milhões de pensamentos, dois: a falta do que fazer fora daquela cama, três: só mais cinco minutos. No tempo que passou, a mão tocou uma linha estranha perto da cintura, uma linha irregular. Esse foi o motivo para saltar da cama e analisar-se no espelho... viu umas linhas brancas sobre a pele branca, linhas que se pareciam com as linhas da mão, fios irregulares de rios visto de cima, bem longe. Coçou a cabeça. Não podia crer que ali, naquele pedaço de c...

Morangos Silvestres Maduros

Suave, como o som de um violino, ela dançava pelo salão, deixando pelo ar o aroma de sua beleza e juventude. Solitária, uma estrela que brilhava mais intensamente, capaz de um iluminar uma galáxia inteira com um único sorriso. Os cabelos desenhavam curvas enquanto o corpo girava, girava pelo salão. Os convidados davam espaço para que ela continuasse sempre o seu ballet, o seu girar, o seu flutuar. Os pensamentos dos homens se inflavam de desejo por aquela pele láctea, os lábios rubros feito morangos silvestres maduros. Seu sabor na ponta da língua dos homens que se esqueciam de suas companhias. As mulheres a olhavam com o canto do olho, desejando aquilo que viam. Queriam aquela leveza, aquela altivez. Queriam ser aquela mulher. O tempo congelado, a respiração suspensa... foi tudo assim, rápido, no dia em que me apaixonei.

Homem de Ferro

Ele acorda com o sono ainda entranhado dentro de si, se pensar por um segundo a mais além da conta, desliga o despertador e volta a dormir. Mas ele não faz isso. Levanta-se e, feito máquina, salta da cama para tomar o café, o banho, o trabalho, o estudo. Seu dia começa cedo e termina tarde. Dia-a-dia: acordar com o sono cada vez mais entranhado em si, a perseverança de continuar tem que ser cada vez maior. E é. Ele faz isso porque precisa e precisa porque quer outra coisa para sua vida, uma coisa melhor. Caso contrário, abandonaria os afazeres e tiraria um ou dois de dias para dormir o sono que se esvaiu nas noites de aula e nas manhãs de trabalho. Um ou dois dias que ele não tem, nem um segundo a perder. Tudo é agitado, atribulado, eu sei, ele sabe. Cansa, sim, viver cansa. Mas é desse cansaço, desse suor que é feita a Vida, ele sabe, eu sei. Por isso, todos os dias, ele veste sua armadura dourado e vermelha e sai porta afora para salvar o mundo de uma imensa sujeira chamada preguiç...

Lutar sempre, sofrer...pra quê?

" O sofrimento não é essencial para a vitória, a luta sim". Essa frase surgiu na minha cabeça num dia dessa semana logo após acordar. Não foi à toa que surgiu, nos dias anteriores eu vinha refletindo sobre esta questão: para vencer é preciso sofrer, ou é preciso apenas lutar? Pensei isso porque não foram raras, e nem ainda são, as vezes que ouvi frases como "as coisas não surgem facilmente" ... "é preciso lutar muito para conseguir as coisas" etc. Frases assim remetem à outras do tipo: "o que vem fácil, vai fácil". Esse pensamento tipifica a ordem que se você quer conquistar as coisas, você tem que batalhar e essa batalha não é fácil e, se for, desconfie: você pode se dar mal. A verdade é que cansei dessas fraseologias de que a gente precisa sofrer para alcançar as coisas que queremos, como se somente atravessando o Calvário é que atingiremos o Céu. Está certo que é difícil as coisas surgirem de mão beijada, mas não é impossível e, se surgirem...